Catarinenses sofrerão aumento na conta de energia elétrica

Seca que atinge o Brasil influenciará também no bolso dos consumidores do sul do país.

Antes mesmo do reajuste que acontecerá em 2015, é possível que a conta de energia elétrica dos consumidores aumente ainda este ano. A expectativa do aumento tarifário anual, que costuma ser definido em maio e implantado em agosto, já chega a 30% a mais na taxa.

De acordo com o engenheiro eletricista das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) em Criciúma, Jânio Canela, em 2013 o aumento foi de 7%. “O acréscimo acontece em virtude de investimentos da empresa, inflação e alguns outros pontos. Neste ano esse número é ainda maior também por causa da seca no restante do Brasil, já que há a necessidade de comprar energia das termelétricas, que são três vezes mais caras do que as hidrelétricas”, explicou.

O consumo de energia na área de concessão da Celesc Distribuição cresceu 11,3% no primeiro trimestre de 2014 em relação ao mesmo período de 2013. Além disso, falta de chuvas no país favoreceu o encarecimento do custo da energia elétrica para as empresas.

“Em 2013 o valor do KW/h era de aproximadamente R$ 200,00 e neste ano está custando cerca de R$ 800,00. Tendo um maior consumo e preço para as distribuidoras, consequentemente alguém precisará pagar por isso, e no final das contas vai ser o consumidor”, afirmou Canela.

O problema não são todas as termelétricas

A energia vinda das termelétricas possui várias opções, de combustível. Existem as térmicas a biomassa, térmicas a gás natural, óleo diesel, óleo combustível, nuclear e a carvão.

Segundo o presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Luiz Zancan, o preço das termelétricas é dado pelo custo do investimento mais o operacional, sendo que alguns tipos são mais caros que outros. “As térmicas de carvão, por exemplo, tem um custo de investimento médio e de combustível baixo. São as de menor custo de despacho e estão perto do centro de carga, por isso são chamadas a operar por primeiro. Portanto as térmicas não são caras. Se tivemos mais carvão o custo do sistema térmico que está nos jornais, seria bem menor”, argumentou.

Atualmente, região Sul não passa por problemas de seca

Diferente de São Paulo, a região Sul de Santa Catarina teve um verão chuvoso em 2014, e por isso, a barragem do Rio São Bento garante o suprimento de água necessário para abastecer as localidades de sua responsabilidade.

“A reserva de água que possuímos mantém, pelo menos por enquanto, a garantia de distribuição para a região, e tranquilidade tanto para a Casan quanto para os moradores. Ainda assim, a construção da barragem do Rio do Salto, em Timbé do Sul, melhorará ainda mais a realidade daqui”, disse o superintendente regional Sul/Serra da Casan, Vilmar Tadeu Bonetti.

Contudo, é preciso pensar no futuro. “O grande problema de São Paulo é que não há espaço para construção de mais barragens, porque onde não tem água existem milhares de residências. Já que temos condições boas, de locais para inundação, precisamos pensar em investir em mais obras desse tipo, para garantir o consumo nos próximos anos”, finalizou Bonetti.

Fonte: Francine Ferreira | Marli Vitali | SATC